Essa sessão é para mostrar que o Bnei Akiva não é
um movimento novo e sim um movimento que a décadas vem trazendo
o sionismo para as comunidades judaicas, desde as mais remotas até
as enormes comunidades.
Muita
coisa é dita sobre o BNEI AKIVA carioca. Poderia escrever um
enciclopédia inteira apenas com as opiniões dos madrichim
atuais. O que dizer então dos chaverim mais velhos e suas vivências
nesses mais de 50 anos de tnuá.
Contarei
então um fato que ocorreu em um passado recente e acredito ilustrar
bem o nosso espírito Torá VaAvodá. Existia
uma comunidade em um país tropical aonde viviam judeus ashkenazim
e sefaradim em sua grande maioria já na terceira geração.
A
primeira geração trabalhou arduamente e construiu uma
sinagoga que era motivo de orgulho para todos seus frequentadores. A
segunda geração já não tinha tanto "tempo"
para frequentar a sinagoga mas também tinha muito orgulho do
seu templo. A
terceira geração sabia da existência da sinagoga.
Até a frequentava uma ou duas vezes por ano para "dar um
beijo no vovô e ouvir o shofar". Só
havia um problema. Para ouvir o shofar era preciso que alguem tocasse
o mesmo e antes disso havia a reza. Só não havia quem
tocasse o shofar ou quem rezasse. Afinal a primeira geração
não era eterna e a segunda não tivera tempo ou interesse
de aprender. Quanto a terceira geração, sentia que de
alguma forma a sua presença naquela sinagoga era a forma mais
proxima de "dar um beijo no vovô" que agora encontrava-se
apenas em suas recordações.
O
tempo passava, as grandes festas se aproximavam e o problema parecia
não ter solução.Tentaram
contratar um chazan, mas todos já estavam comprometidos.Alem
disso era uma comunidade sem recursos, pequena e afastada. Quem estaria
disposto a ir para lá?
Foi
nesse momento que o BNEI AKIVA carioca decidiu que essa situação
teria solução.
Grupos de chazanim voluntários foram organizados e enviados não
só para esta comunidade como para várias outras de norte
a sul do país.A
surpresa nas rezas era constante. Primeiro por serem os oficiantes garotos
da terceira geração (que via de regra deveria ser "espectadora
passiva"), segundo por não usarem nenhum artifício
"moderno" para atrair a atenção (como orgão,
microfone ou talit da cor arco-íris) e mesmo assim conseguirem
"levar" a tefilá de forma comovente e interessante.
Terceiro por estarem ali voluntariamente sem qualquer vantagem financeira
ou em busca de honrarias.
Foi um sucesso e todos solicitaram para o ano seguinte que os mesmos
chazanim retornassem.
Isso não foi possível pois alguns fizeram alía
e outros estariam ajudando as sinagogas aonde seus próprios avós
rezavam. Foram outros, pois uma nova geração estava a
caminho e assim sucessivamente. Essa
talvez, na minha humilde opinião, seja um dos motivos do grande
êxito do BNEI AKIVA carioca, do Brasil e do mundo em geral. Todos
ajudam a preparar os mais novos que um dia crescerão e assim
sucessivamente. Assim como o Mar da Galiléia que recebe águas
e as envia adiante, em contraponto ao Mar Morto que apenas recebe águas
e a cada ano que passa diminui, diminui, diminui...
Nos
ultimos anos, muitas foram as atividades marcantes entre as quais citamos
a machané para 300 pessoas, o seminário para madrichim,
os churrascos, o shabaton para kvutzót e os passeios. Além
de obviamente dos shiurim ministrados diariamente em nossas sedes. Semanalmente,
mais de 100 mitpalelim tem prestigiado nossas singagos e minianim. Isso
tudo é fruto desse trabalho contínuo que atravessa gerações
e agora encontra-se entregue a um entusiasmado grupo de madrichim e
ativistas, que , com o auxílio do casal de shlichim, sabe ultrapassar
os desafios e manter o ideal. Muito
é dito sobre a comunidade do Rio de Janeiro. Algumas vezes os
termos usados não são lisonjeiros...Assimilação,
desinteresse são expressões que estamos acostumado a ouvir.
Pois
o sábio Hilel já dizia "não julgues o teu
próximo até que te encontres na sua situação"
(Pirkei Avot-II-5). Criticar é muito fácil, generalizar
é uma tendência quase irresistível mas...O
mesmo dizia: "onde não houver homens procura ser homem"
(Pirkei Avot-II-6).